quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Pelican «The Fire in Our Throats Will Beckon the Thaw»


Creio que o primeiro grande contacto que tive com este grupo norte-americano terá sido por volta de 2004, numa altura em que começava o grande "boom" do post-metal/sludgecore experimental e bandas como os Cult of Luna, Neurosis, Isis e Callisto - talvez entre as mais famosas - começavam lentamente a afirmar-se.

Se há concertos que mudam o modo como encaramos a música e vemos o mundo, aquele concerto demolidor, épico e electrizante que os suecos Cult of Luna deram em Coimbra, no dia 25 de Abril de 2007, foi um deles. Geralmente associamos peso ou música pesada ao death metal e ao grindcore, mas a verdade é que o nível de intensidade foi maior naquele dia solarengo de 2007 do que nos vários concertos de Napalm Death a que já assisti. Isto tudo para dizer que passados quase dez anos, e com ouvidos cada vez mais selectos - isto sem qualquer tipo de arrogância -, sobreviveram precisamente aqueles que eu já ouvia com regularidade.

O som dos Pelican mudou um pouco ao longo dos vários EPs e quatro disco de longa-duração, mas a base está lá ainda: uma grande entrega musical, acordes arrastados, delay abusivo e uma percussão dinâmica. A isto tudo, junta-se a enorme paixão que o colectivo de Chicago emprega ao projecto e a capacidade cada vez mais rara de escreverem temas de dez minutos que não me aborrecem. É complicado destacar um disco favorito entre uma discografia que eu considero extremamente equilibrada, porém The Fire in Our Throats Will Beckon the Thaw merece um ligeiro destaque. Mais melódico que o debut Australasia, este disco de 2005 alimenta-se um pouco mais de harmonias e texturas suaves, alimentando com mel a toada alegre e relaxada que pauta o disco na sua quase totalidade.

O disco tem momentos verdadeiramente mágicos e calmos que contrastam simultaneamente com o brutal peso das guitarras - os Russian Circles também possuem esta mesma capacidade -, como facilmente podemos escutar em March to the Sea, um tema que o grupo viria a explorar melhor no EP March into the Sea. O tema que impressiona mais é, a meu ver, Red Ran Amber e todo o sentimento, clímax e paixão que dele resultam- o final é tão, mas tão épico; encontramos actualmente, e com alguma facilidade, este tipo de composição num disco de Ancients ou Ef, mas a mestria de execução revela-se mais neste disco e nesta banda. 

Pácífico e poderoso, acústico e abrasivo, The Fire in Our Throats Will Beckon the Thaw é hoje, mais que nunca, um disco essencial na discografia do melhor que se fez e vai fazendo dentro do post-metal/sludgecore experimental. 

8.5/10

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